segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Lições passarinhas

No início da meditação, Telma nos confidenciou que dormira mal pois seu ouvido a incomodou durante a noite... Seu corpo cansado tremia enquanto meditávamos, e os anjos nos disseram que, assim como os passarinhos, ela não estava conseguindo assimilar a energia. De fato, eles muitas vezes tremem quando há excesso de carga.

Então, os anjos nos levaram a nos conectarmos com o nosso passarinho, nos perguntando se o sentíamos assustado ou encantado, e qual era a árvore à qual ele se ligara. Então, voamos em círculo por sobre a sua copa, orientados pelo nosso guia espiritual, que nos mostrava onde estavam as flores; assim como acontece com os passarinhos, nosso olhar abarcava todas as possibilidades em flores e frutos. (Nesse ponto, achamos interessante notar esta lição dos anjos, e prometemos observar melhor o vôo dos pássaros).
Procuramos as flores em nossa árvore pessoal, beleza que ancora na terra, e transpusemos o exercício para o nosso cotidiano, sobrevoando-o em círculos, nos dando conta de que flores temos colhido ultimamente no âmbito dos estudos, do lazer, do trabalho, dos relacionamentos,etc...

Os pássaros, nos disseram os anjos, se conectam através de seu canto, e reconhecem o significado de suas mensagens. Quanto a nós? Como está sendo nosso exercício de ouvir? Talvez haja "passarinhos" que temos ouvido com prazer, enquanto evitamos outros.

Enquanto eles amam o vento e o sol, os elementos ar e fogo, nós somos mais ligados à água e à terra, que são elementos mais densos e pesados. A água só consegue existir em seu corpo na quantidade adequada, numa lição de parcimônia e equilibrio. Podemos aprender com os passarinhos a balancear os elementos, e, principalmente, a nos comunicarmos com nossos semelhantes. Assim fazendo, estaremos diminuindo a distância entre os dois mundos, o nosso e o dos passarinhos.
Observar o vôo dos pássaros, o equilíbrio da leveza, nos abrindo para a compreensão do nosso semelhante e para o nosso interior foi uma mensagem inesperada por sua exatidão nos detalhes, com informações novas e desconhecidas para nós. Sentimo-nos mais abertos para nosso interior e para o próximo.














domingo, 24 de outubro de 2010

Passado, Presente, Futuro, árvores encantadas.


Cheguei tarde na meditação, mas ainda a tempo de pegar o início da parte silenciosa da mesma, e logo mergulhamos em seu canal especial, com os anjos nos pedindo para imaginarmos uma semente aos nossos pés, que ia crescendo e se transformando em árvore frutífera.
As árvores são portais que nos transportam no tempo, nas dimensões internas e externas, e em seu silêncio cheio de reverberações encontramos tesouros em lembranças, revelações, aberturas para novas formas de ver a vida.
Cada um de nós acessou sua árvore, e Telma, nos comunicando onde seu anjo a levara, revelou-nos seu sentimento de estranheza diante da árvore de fruta-pão no quintal da casa paterna. (Esta árvore, por sinal, é originária da Indonésia e da Nova Guiné).

Este estranhamento evocou todos os outros e as dificuldades que sentimos na vida, de, por exemplo, mudar de paladar, passar por um caminho inusitado, sair de hábitos consagrados.
Tomar consciência de novas dimensões da vida pode passar por essas pequenas mudanças de hábito, e o anjo nos sugeriu abrirmos um espaço para elas todos os dias. Toda manhã, podemos nos abrir para um sabor novo, um espaço diferente, para uma pessoa que costumamos rejeitar e que representa um desafio. Podemos pedir um suco que nunca experimentamos, um prato que nunca provamos antes.
Temos tendência, nos lembraram os anjos, de associarmos o novo com o futuro (e neste momento me vem a sensação de que nada parecia-me tão novo quanto cada dia vivido na infância, e que hoje é meu passado).
Telma lembrou-se de como deliciava-se diante da fritada preparada por sua mãe, e se deu conta de que hoje, ao evitar comer carne bovina, estava fechando um acesso às suas memórias do passado. Os anjos então completaram dizendo que não devemos nos fechar nem para o passado, nem para o futuro, e que as decisões rígidas podem ser um entrave à experimentação.

O passado e o futuro nos são evocados pelas sensações (vide Marcel Proust e seu biscoito com chá), e os anjos nos sugeriram uma viagem até os 8 anos, para nos darmos conta do que desejamos então, e do que reprimimos também. Depois, ao fazermos uma conexão com os desejos de hoje, nos despedimos agradecendo pela nova abertura de visão trazida por nossos anjos e árvores, encantados com a possibilidade nova que entrevimos no passado, com sua gama de sensações que podemos sempre acessar, tesouro velho que pode no entanto nos renovar a alma.