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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Se esta rua fosse minha


Hoje, voltamos um pouco à infância, com suas alegrias e suas dores. Estavamos risonhos, mas foram essencialmente dores que nos fizeram voltar a este período: as dores da febre reumática que Telma sentiu quando pequena, que a atingiu provavelmente pela insistência de seu pai em tratá-la com homeopatia, mesmo com sua garganta já muito afetada. Finalmente, levada às pressas para o hospital (e neste momento eu precisei conter minha indignação, pois eu passei por isso com minha filha e ex-marido, que achava que a natureza podia agir sozinha, enquanto ela definhava com uma diarréia braba, e eu dependia dele para levá-la ao hospital) pôde ser devidamente medicada com antibióticos; as dores de Tona que sofreu por apanhar na infância, sendo desafiado a não chorar, porque homem não chora.

Como sempre, nossos amados anjos dão um jeito de agente se divertir enquanto falamos de coisas que mexem conosco. O interessante é que chegamos à homeopatia por causa do sofrimento de Telma, e pelo seu encantamento pela Farmácia Homeopática Sabino Pinho, com seus grandes armários de madeira e vidro, com aqueles frascos grandes de antigamente, que ela contemplava sentada no balcão da farmácia onde seu pai a colocara.

Da Farmácia Sabino Pinho à rua Sabino Pinho foi um pulo, e de repente constatamos que de algum modo estávamos todos lá, na infância: alguns moraram nesta rua, outros a frequentavam ou nela passeavam; Telma costumava levar sua filha para passear naqueles arredores, assim como minha mãe o fizera comigo muitos anos antes, quando eu era pequena, e iamos até o mercado da Madalena para ver os passarinhos; um outro cruzamento de dados é que a filha de Telma e eu temos o mesmo nome, e minha mãe, por sua vez, se chama Madalena...
Para completar o elenco de dores, a minha, que ficou em filigrana, foi ter tido que me separar da minha mãe com um ano e meio, quando morava na rua Sabino Pinho.

Fátima e Fábio moraram lá, Tona morou numa rua ao lado. De repente nos sentimos com um chão em comum, protegidos pelo Doutor Sabino Pinho.

Este salto para a infância através do médico homeopata me dá agora a sensação de que estamos todos sempre voltando a curas primordiais, e que, quem sabe, podemos encontrar em nós mesmos e em cada um de nós a acolhida necessária para isso. Também me pareceu ser um repensar de Telma sobre seus caminhos com as formas de cura, com a homeopatia, os florais, a farmácia Sal da Terra que permearam sua vida profundamente.

Lembrei-me com grande nitidez que quando eu morava no Paquistão, vinha-me com uma certa clareza que eu iria ter alguma conexão com o Dr. Sabino Pinho, e isto, lembro-me bem, alimentava minha alma de uma forma intensa e confortante, e eu via um espaço terapêutico que tinha um segundo andar (neste momento penso que poderia ser bem a sala da Sal da Terra, ou outra que ainda possa existir). E hoje, o que eu comentei certa vez com Tona como apenas uma conexão de sincronias, ficou para mim quase palpável, pois a "Conexão Sabino Pinho" foi verbalizada por outra pessoa.

Depois, passamos às cobras, através do sonho de Brenda. Telma lembrou que ela é o símbolo da energia kundalini, também é símbolo da medicina, da saúde, da sabedoria. No sonho de Brenda, era uma cobra naja, e ela queria tirar-lhe os dentes para não mais temê-la. Queríamos que Brenda conseguisse interpretar seu sonho, mas não havia elementos suficientes... Na parte final da meditação, Telma colocou lápis e papel à nossa disposição, e começamos a desenhar o que nos viesse à mente. A cobra voltou no desenho de Brenda... Talvez assim, da próxima vez, possamos descobrir o significado que ficou latente no papel. O curioso é que todos tentávamos dar alguma interpretação, e chegamos até Cleópatra, rainha do Egito...
Enfim, entramos em consideração sobre as manhas e artimanhas que cometemos, ou que vemos ser cometidas, sobre Lúcifer, sobre o bem e o mal (que ficou simbolizado para mim nas cobras de cabeça triangular, venenosas, e cabeça oval, boazinhas), sobre Santa Catarina e os saques lá ocorridos, sobre Telma não se dar conta que estava no coração do desastre (ainda bem).

Pretendi desenhar como uma criança, mas meu desenho também não foi poupado de um significado mais profundo. Quis desenhar simplesmente uma flor, mas saiu algo totalmente diferente, e tinha ares de borboleta, semente, orelha, enfim... Fátima e Telma fizeram o esforço de colocar no papel suas visões meditativas, e aí o sentido ficou mais claro... Foi muito bom tentarmos materializar através do desenho as nossas paisagens internas... Além de divertido, muito curativo e expansivo... A idéia é praticar mais este tipo de exercício...

Em conclusão, saimos nos sentindo leves e com um leque de possibilidades de coisas por fazer pela frente...