
Neste momento, acabo de ler as mensagens de Brenda e Telma, sobre a flamboyant, enquanto me preparava para escrever aqui, as quais me trouxeram novo alento.
Pois estava pensando: nem tudo são flores na nossa meditação, como vimos algumas vezes. E nesta última meditação, sofri um abalo sísmico, o que me impediu por algum tempo em pensar em escrever aqui... Será que é o mês de agosto, que no entanto vinha até há pouco tendo dias de um sol claro e de um vento fresco, levantando a alma...
Tentei entender... Será que foram as referências ao suicídio do presidente Getúlio Vargas, a episódios passados de repressão, às abordagens racistas que havia em nossa formação escolar... Será que são as dificuldades que estamos encontrando para entender porque resolvemos, ou melhor, porque Telma teve a idéia de fazer uma praça em torno do Baobá da Ponte d'Uchoa, será que essa idéia não surgiu na própria meditação...? E porque não está sendo fácil realizá-la, se a princípio ela nos parecia tão boa... É como se tivéssemos chegado num ponto cego de nossa caminhada, onde os propósitos e dificuldades de cada um, somados ao peso histórico do passado e do presente (dado que temos tido que nos confrontar com coisas um tanto pesadas no cenário político)tivesse formado um bolo só, rachando a alma ao meio, ou rasgando certos véus... No entanto, fomos acolhidos pelas Baobás, que formaram um círculo de luz em nosso entorno, pelas flamboyants e pelo mangue... Esse acolhimento lembrou a Telma o momento que ela vivenciou em Blumenau, na enchente... Será que vivemos ou transformamos abalos semelhantes em algum nível?
Voltamos a nossa criança em torno de 10-12 anos, para curá-la. Sentimos esta cura profundamente, e no entanto, ainda ficou uma dor e uma tristeza palpável, que depois se revelou para mim como uma dor coletiva que se mostrava, ou que se fazia relembrar. Há momentos assim em que essa alma coletiva chora, e foi com muita alegria que li a mensagem de Telma a Brenda, em vermelho flamboyant, e as lindas imagens da árvore, somadas a vontade de Brenda de plantar um flamboyant! Que bela resposta à tristeza!



