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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Conexão dos pássaros

Os pássaros estiveram conosco desde o princípio. Primeiro, fomos até o Baobá da Ponte d’Uchoa. É uma visão impressionante de se ter logo de manhã cedo, uma copa que se doa e que jorra luz, e um tronco que nos acolhe como uma grande mãe.

As flores em todas as fases, umas secas, outras bem abertas, algumas fechadas em uma linda bola verde. Foi um Natal...
Neste momento chegou um periquito verde, daquele verdinho que parece sair de um livro de colorir pela precisão do tom...

Para ficar junto à nossa querida árvore, verificamos que precisamos mesmo fazer alguma coisa. Não conseguimos meditar lá, não tínhamos como sentar, e o mau cheiro não nos deixou ficar. Então, rumamos para a Jaqueira. Buscamos um lugar para sentar, não ficou longe do Baobá pequeno, e logo fomos rodeados pelos pássaros, pelos canários, periquitos, lavadeiras, e outros, que teceram em torno de nós uma atmosfera enlevada com seu canto. Não foi difícil, protegidos pelo som do canto dos passarinhos, entrar em meditação. E de repente, sentimos a suspensão do tempo e todos os barulhos sumiram como que por encanto.

Os pássaros, cada um com seu trinado, pareciam ecoar sua conexão com uma dimensão mais sutil. Neste momento, passou uma dupla de amigos rindo às gargalhadas, e sem querer comparei o som dos pássaros à risada de um deles. O tom em que cada um ressoava foi tão diverso que me lembrei de uma das aulas de Lori Wilson, em que ela explica que somos uma espécie desconectada, não temos nem antenas, nem cauda, nada que revele nossa ligação com outras dimensões, mas que mesmo assim sobrevivemos... E foi esta sensação que tive ao ver as pessoas andando em círculo pela pista de cooper, apesar da desconexão, sobrevivemos. A movimentação dos pássaros, seu vôo em bando, sua aterrissagem sincronizada, em dupla ou em trinca, tudo nos fazia sentir um entendimento mais profundo entre eles... Ao contemplar as pessoas andando na pista, ficou evidente aos nossos corações a desconexão de nossa espécie, e a sua vulnerabilidade... Ao mesmo tempo a nossa possibilidade de expansão através das ondas meditativas, do silêncio, do nosso espírito.

Foi bom poder sentir, como não o fazia há muito tempo, a natureza, a cidade, as possibilidades de sua transformação e de curtir o verde como uma ressonância de nossa alma, os pássaros como guardiões do encantamento.
Valeu!

Mariana