Hoje fomos meditar junto ao Baobá da Beira Rio... Participei de seu plantio junto com o Instituto Capibaribe, poucos anos atrás... Este foi um Baobá itinerante, pois sua muda veio da África, depois passou pela França, e finalmente aportou aqui... Não sei se foi por isso, mas quando nos acomodamos, abrigados por sombreiros, sentados no banco da praça, me vieram imagens de itinerância, de praças em que estive em Recife, Argel, Paris, Cardiff e Lahore, e a conexão que existe entre esses espaços de verde e de vento, de pausa e de alegria, nos diversos lugares do mundo.
Brenda conduziu o plantio de nossas árvores, e a do grupo me apareceu alegremente cercada por nós todos, formando uma ciranda ao seu redor, girando como um só corpo, e tinhamos a alma verde encantada...
Fizemos uma pausa para a cura de pessoas queridas, e logo em seguida me veio a imagem de Telma com uma vareta de procurar água em desertos. Ela parecia querer nos dizer que somos esses buscadores, buscamos este líquido precioso, escondido em nossas almas, para que ele jorre e se torne parte da paisagem, e a transforme... E também mostrar nossa condição itinerante... Este pensamento fez uma ponte com o barulho dos carros que passavam na avenida, traçando um itinerário sonoro. A meditação foi sendo ritmada pelo som dos motores que se transformaram na própria meditação, despertando em mim uma sensação de possíveis e gostosas viagens e passeios... Mesmo com a circulação dos carros, momentos de silêncio aconteceram, pausas em que de repente o canto dos pássaros nos remetia à natureza de maneira plena, com o sol e o vento presentes e filtrados pelas árvores...
Esta foi uma estação meditativa, não mergulhamos na natureza mas nos sentimos transeuntes ligados a ela e em busca de tesouros preciosos, com vontade de buscá-los em diversas partes de nossa cidade e além dela. Valeu!

