
Tudo começou com vento e chuva, o vento no peixe japonês de papel da varanda de Fábio, depois chuva durante a meditação, cigarras, pássaros, e a vegetação em torno da varanda de Fábio e de todo o Sítio União existindo numa outra sintonia.
Ecoamos novamente as vogais, e Brenda visualizou a onda sonora que formavam, como aquelas que certos aparelhos registram. Pareceu-me que vibravam como um canto cósmico, e ele foi ouvido e tivemos respostas. Cada um a sua, mas a sensação de infinita grandeza, de enormes e ternas presenças foi compartilhada por todos nós. Alguns receberam recados específicos, como Telma, que percebeu orientações para arrumar seu apartamento. Rosinha conseguiu captar uma sensação de agradecimento profundo por experiências dispares; Ivete teve dificuldade de se intregar a uma beleza que lhe pareceu quase insuportável. Olhando ao longe, contemplei os ecos de nosso canto e me dei conta de que às vezes, na infância, é assim, agente olha ao longe e vê mais coisas do que apenas a paisagem, agente percebe promessas e presenças muito grandes. Fátima sentiu uma alegria infantil e vontade de ir dançar na chuva. Márcia visualizou uma energia laranja nos aquecendo a todos. Daniel percebeu que precisa cuidar de sua voz, instrumento de seu ofício de ator. De repente, enquanto ele falava, comecei a ter por meu corpo uma ternura inusitada, como se eu o contemplasse de fora, e percebesse sua fragilidade, ao mesmo tempo que soube o quanto nossos corpos são cuidados por nossos Eu Superiores que zelam por eles com cuidados maternais.
No silêncio no qual nos mantivemos por bom tempo, houve um espaço enorme de muita ternura e reverberação dos nossos seres.
Intrigou-me e me enterneceu perceber que as vogais e o cântico final (formado pelas vogais u e i) reverberassem e despertassem uma espécie de memória "celular" cósmica que revela-nos algo acerca de nós e do mundo que, depois que volta o silêncio, torna a se esconder na paisagem, esperando que a despertemos novamente, como se fosse um doce gigante adormecido que só vem ao nosso encontro brincar conosco quando o chamamos. Um gênio da lâmpada que faz o mundo em torno mais belo, inocente, e acolhe nossa criança interior com um delicadeza de mãe. Velando no centro do nosso círculo Santo Expedito e Nossa Senhora...
