terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Sinergia


Às vezes, o vazio pode ser fértil, como aquele que precede um nascimento. Foi o que sentimos hoje, com a ausência de Telma. Sem ela para conduzir a meditação, pareciamos crianças que se encontravam pela primeira vez no pátio da escola, sondando para saber quais as brincadeiras em comum que poderíamos compartilhar. Ao mesmo tempo, pudemos nos dar conta do ponto em que estamos, e o que precisamos fazer para podermos nos sintonizar melhor...

Acolhidos por Fábio e Fátima no Sítio União, nos rencontramos como depois de férias, reconhecendo a cada um e ao mesmo tempo cientes de que haviamos mudado...

Na varanda da casa de Fátima, rodeados de árvores, iniciamos nossa meditação... O vento soprava delicadamente fazendo tilintar o mensageiro dos ventos... Grilos ritmavam o tempo, cachorros confabulavam, o canto dos pássaros coloriam a atmosfera... Formamos nossa árvore, alguns a árvore do grupo, e mergulhamos no silêncio... Aproveitei o som dos grilos para subir até a Anternet, e lá fiquei flutuando como numa estação espacial. Encontrei meus tios para uma sessão de cura (ele está com câncer). Sorriam-me como se estivessemos num parque de diversão. Depois, vi que todos do grupo voavamos como Super-Homem, formando uma roda cujo centro eram nossas mãos dadas. Voávamos para brincar e para experimentar nossa qualidade de seres cósmicos...

Saindo do silêncio meditativo, nos demos conta de que o vento havia regido nosso recolhimento, e que, como fazem os tibetanos, podiamos tentar traduzir as qualidades divinas que ele transportara. Fomos ver a muda do Baobá, muito lindinha, que Fátima rega quase todos os dias... Muitas folhinhas brotando, e o caule começa a ter na base um ligeiro colorido cinza... Ficamos encantados com ele.

Foi só no café da manhã, em casa de Fábio, que começamos a falar do nosso silêncio e timidez em compartilhar nossas paisagens internas durante a meditação... E enquanto falávamos, cada um um pouco do que viramos e sentiramos, nos demos conta de que a tônica de todos tinha sido a percepção da conexão e da coesão do grupo, o sentimento de que nossas energias se fundem, como o fazem os troncos dos Baobás. Alguns outros elementos em comum apareceram, como a energia da criança através de Fátima e Ivete. A primeira entrou no tronco de um Baobá e foi brincar no seu interior, a segunda viu Telma, recheada de energia infantil, saindo de um dos Baobazinhos que formavam um círculo... Estar dentro do Baobá... Ele pareceu estar sendo uma matriz para nosso renascimento.

Mais tarde, quando fiz um intervalo para me exercitar, observei na academia e na praça por onde passei, detalhes que me chamaram atenção para o fato de que, talvez agora, nós não estejamos mais desconectados, e que funcionamos como um bando de pássaros que andam em sincronia... Acompanhamos o vôo de cada um, enquanto voamos o nosso próprio, que é um pouco o do outro... Há um entrelaçamento que funde o individual numa sinergia, gestada pela matriz do nosso Baobázinho. Mesmo ainda tão pequeno, ele nos dá segurança, assim como a ausência de Telma conectada em sinergia nos proporciona crescimento.

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