terça-feira, 14 de julho de 2009

Descobrindo a liberdade (e hoje é dia 14 de julho!)

Desde que cheguei de viagem, não consegui criar um espaço interno, e, porque não dizer, coragem, para voltar a escrever aqui. Então compreendi que talvez esteja em busca de uma nova dimensão para os relatos do blog, como se ele estivesse cobrando algo mais "concreto" do que apenas relatar o que vivenciamos a cada terça-feira. Não sei. Talvez efeitos do que vi na Europa, pessoas empenhadas em pequenas ações, movidas por valores muito ancorados, embora não isentas de contradições. Seja lutando pelos direitos dos imigrantes, seja vivendo uma volta ao espírito mais profundo de suas raízes, como no País de Gales, onde o galês voltou a ser ensinado nas escolas, e onde as crianças vão fazer arte nas clareiras das florestas. Talvez eu tenha visualizado algo assim no Sítio União, as crianças brincando com a natureza e conhecendo as árvores.


Porque hoje nossos corações foram abertos para uma compreensão mais ampla do que vivemos no plano social, senti que talvez pudesse começar a escrever novamente. Na Europa, o plano espiritual ficou soterrado sob camadas de racionalismo, o que faz você buscar no brilho dos olhos de cada um essa dimensão, mas poucos falam ou sequer aceitam falar sobre o assunto. O caminho espiritual ali é muito profundo e sutil, mas a rotina diária não é muito permeada por ações espirituais, acho que essa dimensão já está incorporada nas artes, ou na forma de viver ou de falar, num certo refinamento dos sentimentos e do pensamento. Por isso, de certa forma, perdi o hábito de falar sobre a dimensão dos anjos.

Mas hoje, eles chamaram os baobás todos, Vida, a guia de Telma se apresentou por inteiro, (Vida Solar da Terra), e fui transportada para Munique onde também me conectei com os pinheiros onde a energia do grupo de meditação ancorara, e que deixei tomando conta de meus tios.

Chamaram nossa atenção para o fato de que estamos redesenhando nossas relações, passando pela libertação dos escravos indo parar no aparente caos no qual estamos aprendendo a lidar com o diferente. Lembraram que o apartamento de Telma se situa no terreno de um antigo engenho, e que, finalmente, Recife é uma cidade de antigos engenhos. Compreender isso, e compreender que estamos redesenhando nossas relações a partir de um modelo onde as interações eram hierárquicas, onde as dores precisavam se acomodar àquela estrutura, onde o sofrimento das mulheres, a traição (e aqui lembro do texto que Fátima leu nas Cartas do Caminho Sagrado, onde consta que o fato de sofrer uma traição é uma espécie de teste para ver se conseguimos seguir amando) que elas sofriam precisava ser ultrapassada para acolher as crianças, e finalmente, compreender que por motivos econômicos o nordeste foi o lugar onde a libertação dos escravos aconteceu primeiro, por falta de possibilidade de mantê-los. Os anjos quiseram chamar nossa atenção para a conquista da liberdade que vivenciamos por que se era mais pobre. A questão da liberdade versus riqueza, a riqueza da pobreza e a pobreza da riqueza. A prosperidade da natureza. Buscar esta sintonia para que esta abundância também se reflita em nossas relações sociais. Os Baobás estão prontos a nos ajudarem neste processo, limpando nossos carmas familiares, ajustando nossos padrões de ancoramento para uma nova liberdade e uma nova abundância...

E para não dizer que não falamos de flores (pois estava nos planos originais irmos para perto dos 3 baobás do Museu da Abolição observarmos suas flores), Telma tornou-se amiga da professora de música Dona Helena, senhora de 88 anos que leciona no Instituto Cabiparibe, e que a convidou para participar dos encontros musicais com as crianças, crianças que também já plantaram um Baobá e que se preocupam com os mangues.

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