terça-feira, 12 de maio de 2009

Compositor de destinos, tambor de todos os ritmos (Caetano Veloso - Oração ao tempo)




Fiquei sem saber se escreveria hoje ou não, mas o fato é que ainda não viajei concretamente. Então tento fazer o relato de uma meditação que escorreu por minha alma como a areia do leito do rio seco que visualizamos hoje.

Cada um de nós acessou uma paisagem interna diferente a partir do mote dado pelos anjos, do leito seco, da areia macia. A areia e o leito se transformaram, com a condução de nossos anjos, em ampulhetas do tempo. Acho que a partir daí ficou bem nítido a questão do fluxo. Que fluxo imprimimos a nossas ampulhetas do tempo? Esquecemo-nos da água, e só contemplamos a areia escorrer pela abertura estreita da ampulheta? O anjo chamou nossa atenção para isso, e imediatamente foi possível darmos vazão a um fluxo muito maior, que passou por nosso chacra coronário de maneira abundante, e se transformou para uns em cachoeiras, para outros em quedas e desvios, ou na contemplação da imensidão do Rio São Francisco. Foi possível perceber assim como tendemos a limitar nosso campo de visão, e precisamos de lembretes para saber que temos sempre mais possibilidades do que percebemos.

A areia colorida se deposita em desenhos nas garrafinhas artesanais, ou forma mantras passageiros nas mandalas, e na ampulheta de nosso corpo vai se depositando às vezes em artrites e outros achaques que precisamos dissolver, ou em sabedoria disfarçada em beleza. Alongar, permitir o fluxo passar, não reter as mandalas mas deixa-las ir para dar espaço a novos desenhos de nossas almas, sem deixar de saborear a impressão que elas deixam, como ficou vibrando a cor e a luz dos limoeiros que me apareceram à beira do rio seco e que salpicaram de luz verde minha alma.

A matéria tempo pode ser modificada por nossas intenções e pensamentos. Permanecer um leito seco, onde podemos brincar de rolar, ou encontrar um fluxo de água, com estrelinhas brilhando em suas gotas. Às vezes seco, às vezes cheio, correndo para o mar (sempre para o mar, como diz Ivete, mas podendo se divertir no caminho em saltos, quedas e cachoeiras, como lembrou Fábio).

Que compasso queremos imprimir a este fluxo interno do tempo? O tempo é arte, dizem os Maias, arte de encontrar a essência cósmica que nos guia e alimenta (como o Maná), saindo do leito linear (areia pura) e indo para o leito de água que traz outras dimensões do tempo, nas quais podemos mergulhar e encontrar sintonias insuspeitas entre o tempo de dentro e de fora.

Beijos,

até a volta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário