
Argila maleável foi o presente dos anjos nesta meditação, onde Telma, Brenda e eu estivemos de corpo presente, e onde muitos compareceram em espírito, numa espécie de facebook espiritual, que se abre a cada terça, e que a sensibilidade de Telma nos sinaliza.
"Não existe nem bem nem mal", disseram os anjos, respondendo a colocações que haviamos feito anteriormente, "existe a vida". Descobrir a matéria "tão fina" de que ela é feita, transcendendo as noções usuais de bem e mal, dualidades que parecem, vistas a partir dos espaços sagrados que criamos, uma generalização, foi uma das facetas do exercício com a árgila.
Na meditação, os anjos nos conduziram a nos sentar ao sopé de uma montanha, ouvindo os sons das águas de um riacho, abençoadas pelo vento leve que trazia aconchego, e nos presentearam com bolinhas de argila que surgiram ao nosso lado.
Fomos convidadas a esculpir com elas o que precisassemos, desejassemos, indo ao encontro da necessidade de cada uma, e pudemos acessar um dos sentidos profundos da criação. Criamos o que precisávamos e também o que nos confortava, o que nos esclarecia, o que acendia em nós direções e estrelas de Belém.
Completadas com cores e cozidas no fogo de um forno, nossas esculturas ajudaram a dar novos sentidos à vida, juntando as peças de um quebra-cabeça em forma de árvore, como para Telma, formando um móbile com flores e planetas, como para mim, redirecionando o sentido da cura, para Brenda.
A revelação de significados mais profundos para os momentos que vivemos, ou de um novo sentido, é um processo de criação muito prazeroso e lúdico, nos conecta com nossa criança interior e com o sentido de nossa existência. Um quebra-cabeça é feito de peças desconexas que de repente começam a fazer sentido quando organizadas de certa maneira. Buscar este sentido no que nos é apresentado diáriamente em nossas vidas pode ser um exercício de revelação e de aprofundamento de seus cursos. Podemos fazer do pão-argila nosso de cada dia uma fornada que sacia o corpo, ou uma nova criação, um pão com ingredientes que reverberam em outras esferas do nosso ser, quem sabe, com pitadas de anís, de gengíbre, ou hortelã, pitadas de memórias ou de sonhos...
Materializamos na árgila o que ia em nossas almas, em nossos espíritos... Pareceu-nos que isso é o que precisamos fazer cada vez mais, ir ao encontro destes apelos, e, com carinho, esculpir nossos sonhos, pois eles correspondem a um sentido mais profundo, um quebra-cabeça que nossos espíritos trabalham em silêncio para nos revelar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário