
Durante o almoço, minha mãe esclareceu-me a propósito dos símbolos da trilogia teológica: fé, caridade e esperança. A cruz representa a fé, o coração a caridade, e a âncora a esperança.
De repente, tinha-se desfeito, pelo menos aparentemente, a nossa idéia inicial de âncora como representante da caridade. Esta temática surgiu na nossa meditação a partir do colarzinho contendo esses três símbolos que Cecília, filha de Telma, presenteara a seu sobrinho e afilhado Leo, quando de seu batizado.
Contemplei um instante a imagem de âncora que me ocorrera em meditação, e a ressonância de mistério que emanava dela, como se carregasse chaves do nosso destino. Talvez, então, vendo isso à luz do que ela representa na trilogia, estivesse me assinalando a esperança que ela simboliza de podermos perfazer com plenitude nosso percurso de vida. Ancoramos nosso barco em novas paisagens que são nossas etapas de vida, renovados de esperança, apesar de bagagens antigas que podem conter dores, desapontamentos, frustrações. A âncora nos diz: "Alto lá! Aqui é outra paisagem, é outro momento, trago do alinhamento com seu Espírito novas esperanças vindas do céu para a terra".
No dicionário, consta o sentido de âncora como sinônimo de apoio, amparo. Aqui, encontrei um ponto de contato com o sentido de caridade que lhe atribuímos. O amparo é caridade, ele nos fortalece as esperanças de podermos prosseguir em nossa caminhada. Entendi melhor a mensagem do anjo de Telma falando em caridade que liberta: apoio que traz esperança para podermos prosseguir em nosso caminho.
Depois pensei nas âncoras de que Ivete falou, as ligações com nossos próximos: a necessidade de sentir o apoio de quem nos acompanha, não como algo que nos cerceia, mas como conexão que dá sentido a cada uma de nossas ações e faz com que nos sintamos acompanhados em cada decisão.
Veio-me então outra imagem de âncora que me ocorreu durante a meditação: uma corda já carcomida pelo tempo, o navio afundado. Aqui, a âncora não tinha mas a mesma ressonância de mistério, de "o que advirá agora?", mas marcava o local do fim de um percurso, ali onde nosso barco-corpo iria se desfazer para reintegrar a terra. Aqui ela é ponto final, testemunho de que houve um percurso que chegou ao seu fim, e de transformação, e porque não, ainda, de esperança.
Depois, o que Salete falou veio claro: a âncora é para ela instrumento de trabalho nos reservatórios de água que inspecciona. Permite criar estabilidade para que o trabalho possa ser feito. Talvez seja isso: a âncora permite que possamos aportar renovadamente na vida, e nos presenteia com novos contextos tingidos de esperança para que possamos fazer nossa parte, em alinhamento com os céus...
«Mas vocês, crianças do espaço, vocês os inquietos em repouso,vocês não sereis nem capturados nem domados.Vossa casa não será uma âncora mas um mastro.Ela não será um véu brilhante que cobre uma ferida, mas uma pálpebra que protege o olho.Vocês não encolhereis vossas asas para poderem atravessar as portas, nem baixareis vossas cabeças para que elas não toquem os tetos, nem temereis de respirar de medo que as paredes não se fendam e caíam.Vocês não habitarão sepulturas construídas pelos mortos para os vivos. Mesmo feita com magnificência e esplendor, vossa casa não saberá conter vosso segredo nem alojar vosso desejo. Pois o que é infinito em vós habita o castelo do céu onde a porta é a bruma da manhã, e onde as janelas são os cânticos e os silêncios da noite.» Khalil Gibran

OI pessoal, tenho acompanhado a meditação pelo portal e fico encantada com a evolução da meditação que Deus continue a abençoar a todos e que sua luz aumente cada vez mais em Mariana para q suas belas palavras cheguem a mais ouvidos.....Fabiana
ResponderExcluirFabiana, obrigada por continuar conosco, e sinalizar sua presença.
ResponderExcluirBeijos,
Mariana.