Sinto-me agraciada por poder escrever aqui estes pequenos relatos do obaobá, sem o quê, como disse o músico da orquestra de Kinshasa, eu poderia explodir, ou subir em espiral para os céus, me sentindo como um girassol que se elevasse nos quadros de Van Gogh.É que o floral do mangue, vou te dizer uma coisa.... Se o problema era criatividade... Sinto-me como um caleidoscópio tranquilo de possibilidades, e faço sem problemas conexões entre Rimbaud e Santa Terezinha do Menino Jesus...
Conforta-me sentir que Tona tenha conseguido, com seus "recados", dar o tom justo, profundo e confortante a cada um que coloca suas questões pessoais durante nossas meditações. Sem suas palavras acolchoadas, muitas vezes ficariamos sem a percepção de que os anjos estiveram conosco.
Hoje, em especial, ficamos embaixo da mangueira, e visualizando agora a cena de nós todos ali sentados em roda, veio-me a imagem daqueles conselhos tribais, com suas deliberações que me parecem sempre meio mágicas, como se não se baseassem apenas em eventuais leis estanques, mas no coração, na intuição, nos "recados" que chegam através da natureza. Os grilos e as cigarras (escolhi meu lugar junto a um grilo pousado na esteira) parecem dizer: "estamos aqui, estamos ouvindo, e não estamos indiferentes, a natureza não está indiferente".
Vem-me agora a imagem de Fábio recapitulando para Telma uma parte do processo que ela viveu com a decisão de deixar a Sal da Terra, e como o que ele viu e sentiu trouxe uma nova clareza ao que ela está transformando, trazendo uma linha de pensamento no tempo quântico dos eventos, apoiando suas novas decisões.
Foi muito bom constatarmos que haviamos avançado em nossos processos criativos, de uma forma ou de outra as coisas têm se aberto, como rosas, romãs, e se ofertado sob formas diversas, em aberturas de perspectivas, e, deliciosamente, em um doce de pitanga feito por Ivete.
São agora quase quatro horas da tarde, e só agora consegui pousar minha cabeça, que tentei ocupar com as traduções em que estou trabalhando, e me sinto, desde então, girando dentro de uma atmosfera feliz por carregar possibilidades, de tal forma que por vezes fico com medo e quero voltar a minha "rotina básica", mas continuo sendo enlevada como se andasse por uma espécie de via láctea atravessando meu corpo suavemente, revelando as pequenas e gentis ou grandes possibilidades que estavam ali embutidas, como se um pacotinhos de chicletes coloridos, como pequenos e mágicos arco-íris fossem ativados...
Na meditação propriamente dita, orientados por Telma, visualizamos nossas conexões sutis, através de cordões e ventosas nos ligando a processos criativos. E enquanto recordo isso, sinto que o mangue é este útero, a partir do qual nos conectamos com as dimensões criativas, uma especie de manguenet, ou mãeguenet, magnéticamente encantado... Acho que não seremos mais os mesmos...

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