terça-feira, 21 de abril de 2009

Alegria, alegria: por que não?

Estava, desde ontem, tentando achar um fio condutor para escrever aqui sobre nossa meditação. O que me ocorreu foi alegria: o espaço de criatividade e de transformação que a alegria traz e torna possível.

Tudo começa com a imagem ainda persistente em minha mente de um remador matinal num caiaque pelo rio Capibaribe. Estava a caminho de me encontrar com Tona e Telma na Padaria Cidade Jardim para irmos ao Sítio União, quando o vi deslizando pelas águas plácidas do rio. A luz da manhã transformara a cor normalmente lodenta em um verde mais claro, salpicado de luminosidade. Ousar navegar um rio sujo é trazer uma nova alegria a suas águas, e nos fazer enxergar possibilidades que a sujeira subtraiu. E põe em marcha a recuperação do rio, em algum lugar de nossos corações.

Depois, a história apresentada em um curta-metragem que Telma nos narrou, sobre uma comunidade do interior que, durante uma reunião da associação de moradores, é contagiada pela alegria de um deles que conhecera o mar; todos resolvem então se organizar, locam um ônibus, e vão ver o mar. A alegria, o espanto deles é imenso. E essa energia toda faz com que, em seu regresso, eles construam juntos uma sede para sua associação, para abrigar seus projetos.

E, mais adiante, mais alegria e transformação com a resolução de Fátima em comprar a casa. Telma visualizou a felicidade dos anjos com a decisão, deram até dicas práticas de como e onde colocar flores coloridas em jarros na casa. Em seguida, participamos de uma sessão de cura com eles, focalizando principalmente Fátima, mas, como sempre, os espelhos e as curas reverberaram em nós. Os anjos sabiamente fazem refletir de forma criativa as questões que estam sendo curadas de uns para os outros, de forma a que, através de imagens, sentimentos ou lembranças o enfoque caiba em nossa alma e aprofunde nossos processos de cura. Enquanto Telma se dirigia a Fátima, senti que Tona e eu ancorávamos nossos anjos, para trazer uma vibração de acolhimento.

E fomos renovados, com a mudança da energia no líquido de nossa coluna vertebral. Aqui, pela primeira vez, ouvi Tona dizer claramente, em alto e bom som, que ele havia sentido todo o processo acontecer em sua coluna. Quanto a mim, visualizei uma âncora adentrando a minha, e a curvinha de suas hastes se acomodaram com os osso da bacia. Tentei imaginar porque me veio essa imagem: âncora é, como vimos, símbolo de esperança. Senti que ela ia sendo alçada aos poucos: talvez em relação a minha viagem à França que se aproxima, onde novos ares vão ajudar a trazer outras naturezas de energia aos meus líquidos.

A sessão de cura passou por Ivete, que Telma visualizou em processo de cura intenso, e prolongou-se até nossa volta, passando pela padaria, para um café restaurador. E, apesar do incômodo de reviver certas experiências que os processos de cura haviam sucitado, fiquei imensamente feliz de estar podendo perceber que estamos no caminho da alegria. Lembrei-me por exemplo do tempo em que fumava (pois falamos da questão das drogas, de como elas permearam, ou permeiam nossas vidas), e de como procurava, através do tabaco, ir ao encontro de sonhos, sonhos de romantismo, de realizações da alma, de não sei bem o quê, já que comecei com 16 anos, indo até os 30. Percebemos que, ao meditarmos em grupo, e deixarmo-nos conduzir pelos anjos, estavamos realizando o que alguns buscam fazer a partir de alucinógenos. Mas a diferença é que a alegria, a transformação, a orientação que recebemos dos anjos é algo que não se consegue através das drogas, principalmente da forma em que são utilizadas o mais das vezes, fora de contextos sagrados. E me dou conta de que, talvez, ao buscar esses expedientes, nós na verdade estamos em busca de nossa essência, de poder receber diretamente em nossa alma tudo isso que buscamos. E percebi com clareza o amortecimento que provoquei em meu corpo e em minhas emoções com o uso do tabaco, por não saber, não poder acessar fontes de sabedoria inatas a minha alma, que busquei no fogo "sagrado" do cigarro.

Por fim, recebi bem claro que seria salutar nos aproximarmos do anjo do rio, perceber a sua natureza e suas mensagens, tentarmos ouvir as mensagens dos anjos das árvores... O que vem fazer uma ponte com o que li em Celia Fenn: estamos numa época em que nossos corações estam sendo renovados para podermos entrar em contato com a natureza. Mas isso requer uma limpeza do medo acumulado pela nossa desconexão com ela. E lembrei de Telma: ela sentiu que seu coração estava sendo profundamente curado, com alavancadas que chegavam a fazer sons: "pla!, pla!, pla!", e uma nova abertura se fez (tirando o medo de que fosse uma ataque cardiáco, essa transformação foi mais uma alegria trazida pelos anjos).

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