terça-feira, 14 de abril de 2009

A natureza de nossos rios

Estou aprendendo, desde a semana passada, a considerar a questão das transferências, dos espelhos, acho que de tanto Telma repetir, e, finalmente, por ter sentido isso ao vivo e a cores com o caso do cliente que atendo por msn. A partir daí, aquela expressão "pimenta nos olhos dos outros é refresco" não se aplica, ou melhor, talvez sejam essas algumas das maneiras de aprendermos que de fato, não é assim.

Na meditação de hoje parece que vivemos um pouco isso. Questões que nos parecem estranhas, ou pessoas que não conhecemos podem nos afetar, por que estão também dentro de nós. Na verdade, sinalizam pontos a serem curados, para que possamos fluir com mais inteireza na correnteza da vida, e, pela mesma ocasião, ajudar o outro a desmanchar seus nós também. (Abordamos questões de trabalho, doença e morte, dores e confusões). A questão da memória "seletiva" foi um ponto interessante: existem "lembranças-chave" que não são apenas uma recordação, mas uma sinalização... Acho que temos vivido muito isso, a interligação de certas lembranças vão formando uma paisagem nova, que de repente traz um novo sentido e assinalam uma direção a tomar.

Entrecruzamos muitas informações sobre diversos assuntos, e o que mais ficou presente em mim foi a questão da revitalização dos rios, como está ocorrendo em Seul. É que ficou registrada em minha alma, uma conversa nos anos 80 com a sogra já falecida de uma ex-cunhada, Elitza, no Rio. Ela me contou que quando era jovem, de passagem por Recife, ficou encantada com certos córregos de águas transparentes e seus peixinhos coloridos nos quais chegou a tomar banho. Aquilo me pareceu fantástico diante do que conhecemos hoje do rio Capibaribe e Beberibe, e minha imaginação formou imagens idílicas de um paraíso perdido.

Saber que é possível recuperar os rios, assim como é possível desatar os nós do rio das nossas vidas, e que talvez um vá de par com o outro, me parece cada dia mais plausível. No fim de semana, na praia de Barra Grande, Alagoas, contemplando um braço de mangue desaguando no mar, fui tomada de imensa felicidade por estar comungando com esta energia criativa através do floral, que ressoou em mim como o reencontro deste paraíso perdido, nada mais do que um alinhamento profundo com a natureza. Mil idéias afloraram, ecoando com outras que emergiram hoje no Sítio União, de integrar algum projeto com crianças (e adultos) para se aproximarem da natureza através da brincadeira, mas com profundo alinhamento.

Entre a França e Kaká Wera, alguma coisa me chama, em todo caso trás esperança, que era o nome da jangada ancorada perto do mangue, onde vi minha alma exultar.

Ainda persistimos em nossos questionamentos, dores e incertezas, mas começo a acreditar que algum novo sentido, escondido nas brumas deste despertar, está se assinalando.

Não sei que curas podem ter advindo para cada um de nós hoje, as questões foram muitas e entrecruzadas, mas senti ficar mais palpável alguns projetos que andam caminhando conosco há algum tempo, crianças, natureza, árvores... Talvez, de alguma maneira, possamos juntar alguns talentos e fazer um trabalho espiritual de natureza... E estamos aguardando alguns partos prometidos, além da criança de Simone, tais como livros, Quicks, e praça do Baobá, e outros...










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