terça-feira, 7 de abril de 2009

Somos frutos, sementes, árvores, somos flores.


Nossa! Acho que em vez de relato, caberia aqui um silêncio profundo de semente, bem aconchegada no úmido da terra, sonhando sonhos cósmicos.

Estariamos virando, de vez, árvores?

A copa de um flamboyant conversa comigo no meu corpo etérico enquanto escrevo aqui. É aquele que fica na calçada, do outro lado da padaria Cidade-Jardim, onde costumamos fazer uma pausa antes e depois do Sítio União.

E me lembro agora que Vida, guia de Telma, nos disse isso hoje, estamos nos exercitando a sermos árvores de um bosque, uma vivendo em sintonia com as outras, e com seus pássaros e suas copas estreladas.

Outro dia, comentava-se que muitos dos homens da minha família paterna são meio glabros. Isso, por conta dos índios Cariris, de quem, em parte, descendemos. O que, para mim, algum tempo atrás, pareceria meio folclórico, hoje se torna fonte de sabedoria. Quero conhecer mais as matas com as quais esses antepassados se relacionavam em harmonia, e das quais se sentiam parte. Porque, meu Deus, buscamos sempre saber quem seria nosso melhor colonizador, se portugueses ou holandeses? Acho que ainda não penetramos nos corações de nossas árvores.

Falar em árvore e coração, recebemos a mensagem de Vida de que as árvores gostam dos corações que os namorados cavam em seus troncos. São para elas como tatuagens de amor. Penso aqui comigo se isso vale também para aqueles amores meio desesperados e românticos que às vezes são os que levam a esses gestos?

Telma foi besuntada de óleo de castanha de caju, seu corpo se refazendo do cansaço dos atendimentos da segunda-feira. As árvores como curadoras, doando de seus frutos para acalentar Telma que havia doado seus frutos da alma, mas se sentia preguiçosa.

Surgiu a questão do merecimento. Às vezes temos dificuldade de aceitar aquilo que já recebemos, e, às vezes, chegamos a rejeitar por algum tempo os presentes do universo, porque não nos julgamos merecedores. Seja Fátima com sua maravilhosa casa, seja eu com minha viagem à França, seja...

Senti que alguma coisa está sendo preparada pelos anjos. De repente me vejo impelida a ver a possibilidade de viabilizar o projeto relativo a árvores com que fomos sensibilizados há um ano atrás (me lembro desta meditação com bastante clareza). Coincidência atrás de coincidência vão me dando amigáveis puxões de orelha que vão me alinhando com esse propósito. Primeiro, surgiu mesmo em forma desta meditação de um ano atrás. Depois, o desejo de Telma, que compartilhamos em seguida, de fazer a praça em torno do Baobá da Ponte d'Uchoa (em que ponto estará?). Depois, o plantio do Baobá no Sitio União. O recente envolvimento de Telma com projetos para cidades saudáveis. E, sua visita aqui em casa, trazendo o livro "O chamado das árvores" para minha mãe. Deu uma espécie de declique, algumas perguntas que ela me fez sobre o instituto que está sendo montado, e que acho, poderia ser uma instituição passível de abrigar estes projetos com árvores (ainda não sabemos como nem quando, mas coisas já se mexem muito concretamente dentro de mim, como a semente se aconchega na terra úmida). Ao dar uma olhada no livro "O chamado das árvores" vejo que o comentário da capa é o mesmo que minha mãe fez a Telma sobre elas: estão sempre aí, mas não notamos elas, é como se sempre fizessem parte de nossa paisagem, mas não as incluimos realmente. Surpreendi-me a ler o mesmo, em outras palavras, na apresentação do livro. Meu Deus, acho que é como diz o James Redfield, seguir "os recados" pode ser como viver uma pequena aventura de detetive dentro de sua própria vida.

Sinto que estamos sendo "projetados" fora do nosso carrossel original, ao qual sempre voltamos para nos divertir às terças-feiras, como no e-mail que Telma nos enviou de Blumenau, quando sentiu a dinâmica de como seria nosso trabalho (ver neste Blog "Cartas da Alma", e ver ou rever também "Mary Poppins", a cena onde os cavalos do carrocel se soltam e vão passear nos campos ingleses!)

Ao mesmo tempo, é bom saber do acolhimento, um tanto uterino, das meditações das terças. Obrigada, anjos e amigos.



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